Espumas PEBA supercríticas tornaram-se o padrão da indústria nas sapatilhas de gama média e alta
Praticamente todas as grandes marcas de corrida usam já espumas PEBA produzidas por processo supercrítico, uma tecnologia que era exclusiva das sapatilhas de competição há poucos anos.
Redação GloryKiks
Foto: Mathias Reding · Unsplash
As chamadas espumas supercríticas, hoje presentes na generalidade das sapatilhas de gama média e alta, resultam de um processo em que gás, azoto ou dióxido de carbono, é dissolvido no polímero sob pressão extrema e depois libertado rapidamente, criando uma estrutura de bolhas de ar uniformes. O processo é fundamentalmente diferente do da espuma EVA tradicional, que dominou a indústria durante décadas.
A diferença de desempenho é mensurável: os valores de retorno de energia das espumas PEBA supercríticas situam-se tipicamente entre 85% e 90%, contra 55% a 65% no caso da EVA convencional.
Na prática, isso traduz-se em sapatilhas mais reativas, que mantêm a qualidade do amortecimento por mais tempo, entre 500 e 600 quilómetros, contra cerca de 400 quilómetros no caso da EVA, e que pesam menos para a mesma altura de entressola.
Em abril de 2026, todas as grandes marcas de corrida já tinham a sua própria versão da tecnologia: a Nike com a ZoomX, a adidas com a Lightstrike Pro, a New Balance com a FuelCell, a Asics com a FF Blast Turbo e a Saucony com a PWRRUN PB.
O que isto muda
A tecnologia começa também a chegar a marcas de gama mais acessível: a Kiprun, marca de corrida da Decathlon, está a introduzir a sua própria espuma A-TPU no mercado norte-americano, com uma política de preços agressiva face à concorrência.
Este tipo de espuma tornou-se hoje um requisito praticamente obrigatório em qualquer sapatilha vendida acima dos 120 euros, deixando de ser um fator diferenciador exclusivo das gamas de topo para passar a expectativa mínima do consumidor.
A generalização da tecnologia alimenta também o debate sobre a origem dos ganhos de desempenho nas maratonas desde 2017: separar o contributo da espuma do contributo da placa de carbono ou da geometria da sola tornou-se mais difícil precisamente porque quase todas as sapatilhas do mercado partilham agora a mesma base tecnológica de entressola.
Com a espuma a tornar-se um padrão comum a toda a indústria, a vantagem competitiva entre marcas está a deslocar-se de novo para o desenho da placa, a geometria da sola e a redução de peso, uma tendência visível nos lançamentos mais recentes, caso da Adizero Adios Pro Evo 3 ou da SC Elite v5, todos eles apostados em sapatilhas mais leves em vez de entressolas cada vez mais altas.
Fontes
- Supercritical foam explained: The technology reshaping every running shoe in 2026
- The ultimate guide to running shoe foams
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Escrito por Redação GloryKiks · 10 abr 2026